Nosso Lar

Cinema é arte e como arte temos o direito de gostar ou não, é como apreciar a tela de um pintor as vezes o que é belo aos meus olhos pode não ser ao olhar dos outros. Para mim isso é uma das coisas mais lindas da arte, são as diferentes visões de mundo colidindo em uma coisa só.
Eu fui assisti Nosso Lar já conhecendo a história, fiz questão de não ler criticas para não atrapalhar meu julgamento real do filme, depois de assistir eu resolvi ler e fiquei chateada com comentários do tipo “onde foram parar os 20 milhões”, eu como profissional de cinema posso falar exatamente onde foi parar mas acho de uma irresponsabilidade tremenda os então “formadores de opinião” espalharem por ai esse tipo de acusação denegrindo a imagem alheia quando sabem que 20 milhões para um filme quase todo de efeitos especiais não é lá muito dinheiro já que esses efeitos são o que existem de mais caro em uma produção.Já a algum tempo eu venho reparando em uma certa resistência da critica com filmes que falam de espiritualidade e/ou religião em geral, nós temos uma cultura cinematográfica bem realista onde sempre se mostra presente as mazelas sociais do país ou no máximo filmes de comédia para fins de entretenimento, eu acho válido e também gosto muito desses filmes mas o fato do cinema brasileiro estar saindo dessa zona de conforto não quer dizer que o diferente será ruim. O desconhecido pode ser tão interessante e bonito quanto aquilo que já nos é próprio. Enfim, eu poderia fazer uma critica ao filme, analisar sua parte técnica etc , afinal estudei pra isso mas creio que já tem gente demais dando o famoso pitaco então resolvi contar uma história.

Quando eu tinha 9 anos já era capaz de passar 12 horas seguidas assistindo filmes, ia tanto na locadora que o dono que conhecia meu gosto  deixava tudo separado pra mim. Apesar de ser só uma criança eu trocava tudo por algumas horas de cinema. Conforme eu fui crescendo isso foi aumentando, reunia meus amigos em casa pra sessões de vídeos e as vezes matava aula só pra ir assistir alguma coisa (não façam isso crianças). Nas horas que eu tinha problema eu corria pra frente da tv e colocava um filme e naquelas 2 horas de exibição era como se o mundo não existisse, eu podia ser tudo, ter tudo, sentir tudo através da história que aquela imagem me contava.
Eu cresci e chegou a hora de escolher minha profissão e eu não tive dúvidas, queria fazer algo para que os outros se sentissem como eu e só podia ser o cinema. Infelizmente depois que comecei a estudar tudo perdeu um pouco a graça, não ficava mais emocionada como antes, não conseguia assistir nada sem um olhar mais técnico e nesses últimos 2 anos venho me perguntando se realmente fiz a escolha certa, afinal escolhi um meio dificílimo onde se passa mais tempo desempregado do que trabalhando e ainda perdi aquilo que me aquecia o coração nas horas de incerteza. Todos os filmes também eram sempre violentos demais com mensagens de menos, o cinema já não é o mesmo de quando eu era criança ou talvez eu tenha crescido demais pra conservar aqueles sentimentos.
Porém esse fim de semana tive uma surpresa, fui assistir um filme com a minha mãe esperando o pior como sempre e depois de 10 minutos de exibição  percebi que meu olho enchia de lágrimas, ai eu pensei: “para de graça Lígia, não teve nada de mais é puro efeito especial e boa atuação”, mas depois de 30 minutos desisti , esqueci que eu era produtora e voltei a ter 9 anos de idade,eu ri, chorei, aprendi várias coisas, questionei outras, entendi tudo só pra depois desentender de novo e aprender outra vez e de repente eu me lembrei o motivo das minhas escolhas, aqueles sentimentos que me acompanharam toda a vida, senti uma ponta de inveja por aqueles que puderam fazer parte direta daquilo e agradeci silenciosamente pelo que sem querer tinham feito por mim.

beijos

Lígia Lucchesi

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~ por Lígia Lucchesi em 07/09/2010.

11 Respostas to “Nosso Lar”

  1. Belo comentário Lígia. Realmente muitos vão assistir com muita resistência e veem o quanto é bela a história, além da produção Hollywoodiana, que é magnífica, porém de muita sutileza, pois a intenção é apenas ajudar-nos a entender como tudo funciona na cidade astral de Nosso Lar. Mas o que mais importa no filme é a história e a mensagem que André Luiz quis nos passar, e nisto Wagner de Assis foi muito feliz, pois conseguiu que a linguagem fosse universal, sem apelar para a religião, apenas mostrou a história e ela se faz entender por si mesma.

    Tbm compartilho com vc o sentimento de querer ter feito parte da magnífica produção, mas tbm estou feliz por terem conseguido concretizá-la, e nisto todos nós fazemos parte.

    Grande abraço e muita paz!

    Miriam Cortez
    (Miroka)

  2. Bom. Obrigado Lígia. J´pa estava conformado em ter desistido de ir ver o filme (por achar que iria encontrar a mesmice do cinema nacional que você menciona no blog). <as depois de ler o que você escrveu aqui, fiquei empolgado de novo. Afinal, como não sou da área, gosto de ir ao cinema pars me sentir com 9 ou 10 anos rsrs. Vou conferir.

  3. Que legal Lígia, é engraçado mas senti também um pouco do que você nos testemunhou. No início, as vezes por pura inveja de não ter participado da produção, me sentia no dever de investigar os mínimos deslizes técnicos. Mas após alguns minutos, comecei a perceber o clima do filme, diferente do que a indústria cinematográfica nos oferece normalmente (um herói, um vilão, uma idéia fixa, realizações egocêntricas tanto masculinas quanto femininas, muita ação, pouco envolvimento com os personagens de periferia e a satisfação dos nossos desejos imediatos, para não fazer uma lista mais extensa), foi então que percebi a grandiosidade da obra, que transcende a linguagem cinematográfica, vai além dos livros e está ao nosso redor. É a lei de amor a nos acolher o tempo todo, sem distinções de cor raça, nacionalidade, ou até de postura mental.

    Penso que se a produção não utilizou deste ou daquele recurso cinematografico para valorizar alguma ação ou situação, o fez pensando na pureza da obra, em atingir o maior numero de pessoas com uma mínima certeza de que a informação não seja distorcida por nossas conhecidas formas de “enxergar” a espiritualidade.

    Obrigado por conduzir-no a um pensamento mais puro.

  4. Lígia, amei seu post. Sincero, de coração aberto. Convio-a a ler o que escrevi a André Luiz aqui: http://www.opoderfeminino.com.br/wordpress/2010/09/carta-aberta-a-andre-luiz/
    Um abraço fraternal,
    Bárbara Reiter

  5. Ligia seu comentário foi preciso.Sintetiza exatamente o que penso .
    Angela

  6. O filme aborda bem uma parte do que é o lado espiritual e , a linguagem Universal do Amor que temos que dispensar a todos.
    Abraços fraternos!
    Fernando.

  7. Ligia,parabéns sua expressão e verdadeira centelha de luz pois muitos criticos simplesmente não ultrapassaram as barreiras de seus conhecimentos mundanos ou orgulhosos…,mas você em poucas frases colocou um ponto que todos veem e sentem ao assistir o filme.
    Um grande abraço

  8. Lígia,
    De forma simples (e até poética), mas com olhos de profissional, você tece comentários plausíveis a respeito do filme NOSSO LAR.
    Sou suspeita, visto que sou Kardecista. Mesmo assim, se fosse contrária a minha opinião, por certo a manifestaria tal qual já fiz em outras oportunidades – a doutrina que professo favorece emitir opinião, pesquisar, questionar…
    Assisti ao filme duas vezes e, anteriormente, tive a oportunidade de ler e estudar os livros Nosso Lar e Cidade no Além. A despeito de não ser profissional da área, foi nítida a minha percepção quanto aos recortes, as digressões, os efeitos, e inúmeras técnicas usadas – nada a desejar.
    O produtor foi fiel em tudo que apresentou ao público, preservando a pureza doutrinária.
    Parabéns!
    Ivana Botelho

  9. Ligia, seu comentário é emocionante. Vi uma crítica aqui num jornal do Rio tão idiota… Como convocam um crítico cético para resenhar este filme? Não entendo nenhuma crítica feita a efeitos especiais, achei-os bastante bons.
    Escrevi também a respeito, no meu blog (http://www.analista.psc.br/blog ) onde também resenhei sobre o filme Chico Xavier. Quando tiver um tempo, passe por lá, gostaria de conhecer sua opinião.

    Muita paz pra você!

  10. Lígia, se texto é ótimo, o conteúdo intimista misturado ao entendimento profissional dessa arte pela qual tenho verdadeira paixão também…achei muito interessante voc~e mostrar essas nuances em seu texto. Quanto ao qquerido e esperado Nosso Lar, acho um avanço, um passo à frente em nossa sétima arte e em nossa visão de mundo…até hoje, Chico Xavier está anos-luz á frente de nosso tempo. Abraços.

  11. Cara Lígia,
    Seu depoimento é poético e sensível, a resposta vem da alma quando assistimos ou temos contato com nossa verdade, aqui é muito provisório e temos essa certeza quando vemos entes queridos retornarem à Pátria verdadeira no momento último quando se despoja do corpo que se serviu durante a breve estada na terra, isso é fato para todos nós visto que também retornaremos; teremos pela frente muitas certezas quanto a essa verdade em todos os meios de comunicação… e para quem tem olhos de ver! Paz em 2012 e um grande abraço.

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