Favoreça – me com seu silêncio!

Essa semana tenho ouvido muitas pessoas comentarem sobre filmes. Acho ótimo que esse tipo de assunto seja debatido, as histórias analisadas, julgadas, e falar de algo além de reality shows e fofocas de tv. Porém, devo admitir que existem  indivíduos  por ai que deveriam se ater ao exercício do silêncio invés de tentarem criticar alguma coisa.
Ouvi três frases essa semana que me deixaram um tanto quanto inquieta, foram elas : “Ilha do Medo é uma bosta, sai xingando”, “Laranja Mecânica é um lixo”, “Avatar é uma merda, odiei” (eu tb não gosto do estilo mas pera lá).

Palavras de baixo calão a parte eis minha opinião:

Não gostar de um filme como “Shutter Island” é um direito que quem vai assistir tem. A história pode não te agradar, o visual pode não ser o seu preferido, enfim aquele pode não ser seu estilo de filme, mas sair por aí chamando o trabalho dele de “bosta” é uma coisa completamente diferente.
Aliás eu diria que é realmente ignorante vc criticar um cineasta considerado por críticos e estudiosos do cinema como “o maior diretor americano vivo”, tendo vários dos seus filmes ocupando lugar de destaque nas listas dos melhores filmes do “American Film Institute” e na lista dos 250 melhores da Internet Movie Database, simplesmente chamando o filme dele de “bosta”. Um diretor desse nível é incapaz de fazer algo inteiramente ruim, mesmo que não seja bom tem sempre algum toque especial e diferente.

Sou obrigada a admitir desde já que qualquer opinião que eu tenha sobre o “Laranja Mecânica” parecerá suspeita, quem me conhece sabe e pra quem não me conhece eu inclusive tenho a capa de “Laranja Mecânica” e o nome Kubrick tatuados na minha perna. Não vem ao caso agora os motivos da minha paixão pelo filme ou pelo Kubrick, só quero lembrar pra quem assistir ” A Clockwork Orange” nos dias de hoje que o filme é de 1971. No começo dos anos 70 fazer um filme desse foi uma prova de coragem extrema do diretor,um filme praticamente livre de erros que foi banido na maioria dos países devido sua “ousadia”. Mas para que contextualizar se vc pode simplesmente falar “é lixo”.

Quanto ao “Avatar” eu não gosto, nunca gostei e nem nunca vou gostar, surpresos? Pois é, esse estilo de filme realmente não faz meu tipo, eu me canso fácil, me falta paciência com a história e me incomoda o visual “foi tudo computador”, mas não dá pra simplesmente resumir uma obra como “Avatar” usando a palavra merda ou odiei.
Mas dou minha mão a palmatória pelo incrível trabalho de desing, de maquiagem, por ser algo inovador, pelo James Cameron ficar 12 anos empenhado nesse projeto , criar câmeras e performances a partir do nada, etc etc.

E defendendo a classe, gostaria que esse tipo de pessoa trabalhasse um dia só em uma diária de filmagem 12h para assim quem sabe aprender a respeitar um pouco mais o trabalho do outro.

Enfim, o que eu estou tentando dizer é que o fato de vc não gostar de algo não tira dele todo os méritos que tem.
MAS COMO DIRIA MINHA MÃE, ANTES OUVIR ISSO QUE SER SURDA!

até

Lígia Lucchesi

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~ por Lígia Lucchesi em 24/03/2010.

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